segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A Noite

Pudesse eu caminhar
E ao infinito chegar
Iria logo bem cedo
Do cimo do meu ser
A tua alma sempre aquecer.

Esse infinito que não chega.
Quanto mais o tentas alcançar
Mais ele te quer afastar
De um momento só dele
E que tu irás calar…

Quero dizer-te o quanto
Te enganas sobre o futuro
Mas mesmo eu próprio nada sei
Do que está para lá do muro
Que tu vês como uma lei.

Não esqueças de sonhar
E não esqueças de viver
Porque quando eu puder caminhar
Para os teus braços vou correr
E ficar feliz a valer…

Quando olhas o horizonte,
Que sentes ao ver
O que está além do monte
Num adeus de viver
Num sonho sempre quente?

Eu queria gritar
E o ideal alcançar
Num momento só meu
Em te tiro o que é teu
E vivo um novo acordar.

Mas porque foges de mim?
Porque sonhas sozinha?
Sabes que quero viver
Mas se não te tornas minha,
Fica difícil a valer…

Pudesse eu caminhar
E tu correr
Verias a vontade
Que existe no acordar
Para assim te ver sofrer

Contigo o dia chega ao fim
E eu vejo-te chegar
Mas no meu acordar
Vejo-te partir
Para mais tarde voltar

Noite, tu que corres
Enquanto eu caminho
No amanhecer morres
E, para te contemplar,
Sinto ganas de gritar…

Pudesse eu caminhar
E pela noite gritar
E veria o acordar
De um novo despertar…



Ricardo Bragança Silveira
9 de Janeiro de 2012

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